
Ford V8 Wasserlastwagen
Panzer Resin Models - 35001 - escala 1/35
Autor: Rubens - WebKits
Este primeiro modelo da PRM (Panzer Resin Models) representa o Ford V8-51 produzido na Europa com pequenas modificações, entre 1936 e 1939, baseado num modelo 4x2 lançado em 1935 nos EUA. O chassi básico era usado para diversas finalidades, partindo do tradicional modelo de transporte (Cargo), também disponível pela PRM, até o singular tanque de água (Wasserlastwagen) representado por este kit.

Histórico:
É pouco divulgado que durante a Segunda Guerra Mundial veículos de origem Americana foram usados pelos dois lados, tanto pelos Aliados quanto como viaturas capturadas pelo Eixo. Pouco antes da guerra, grandes montadoras como Ford, General Motors e Chrysler, possuíam linhas de montagem distribuídas pela Europa. A Ford tinha fábricas na Alemanha, Bélgica, França, Holanda e Romênia. A primeira linha da Ford foi instalada em Berlim na década de 20, mudando para Colônia em 1931. Logo após o início das hostilidades, em setembro de 1939, as instalações da Ford e GM foram requisitadas para fabricação de aeronaves e caminhões para as forças alemãs

Estas fábricas foram responsáveis pela produção de cerca de 90% dos meia lagartas tipo Maultier e quase 70% dos caminhões de porte médio e pesado. A partir das conquistas Européias, as fábricas na Holanda, França e Bélgica também caíram sobre o controle Alemão. Devido à já conhecida confiabilidade da marca Ford, além de caminhões, diversos automóveis e utilitários também foram usados pela Wehrmacht. Tanto era o interesse da Ford na Alemanha, que ao final da guerra Henry Ford chegou a processar o Governo Norte Americano pelo bombardeio de suas fábricas em Colônia, sendo restituído em aproximadamente US$ 1 milhão.
Conteúdo:
São cerca de 30 peças moldadas em 3 tipos diferentes de resina, inclui 3 eixos de metal, folha de acetato para transparências, instruções detalhadas e decais para 94ª Divisão de Infantaria da Wehrmacht. As peças são embaladas em diversos sacos plásticos, acondicionados numa caixa bastante rígida e pequena, de modo simples mas muito eficiente.

O chassi moldado numa resina creme bastante resistente contém detalhes básicos como feixes de molas, parte inferior do motor e silencioso do escapamento. As peças menores são moldadas numa resina semi transparente com excelentes detalhes, a torneira do tanque está entre as melhores que já vi neste material.

Perceba que a torneira possui uma sutil marca indicando onde deve ser cortada. As demais peças em resina cinza, também apresentam grande riqueza de detalhes, como a cuidadosa moldagem no interior da cabine do painel, puxadores e alavancas de acionamento de vidros.

Nenhuma peça apresenta sinal de empeno ou desalinhamento, embora algumas não aparentassem estar ainda absolutamente solidas, estando com aparência levemente "melada". Considerando o material achei todos encaixes bastante satisfatórios.

Preparação:
Como todo modelo em resina, a primeira providência é a limpeza das marcas de molde, junção e rebarbas, as partes mais grossas podem ser eliminadas com uma pequena serra ou tesoura, sempre deixando uma margem de segurança para evitar qualquer dano, jamais quebre as rebarbas, a não ser que tenha certeza absoluta que peça não será danificada como no caso das rodas. É recomendável usar um porta comprimidos ou similar para guardar peças menores e delicadas, de modo a evitar perdas e danos.

A seguir são usadas pequenas limas de seção chata, redonda e quadrada de acordo com as necessidades e finalmente lixa d'água para o acabamento. No caso de seções internas como no chassi é efetuado um furo, ou conjunto de furos, que depois são alargados até chegarem nas medidas desejadas.

O interior das rodas traseiras requer algum cuidado pois sua forma côncava apresenta excessos que devem ser cuidadosamente retirados e a superfície nivelada. Nos pontos críticos, como os contornos dos pára-lamas e janelas que devem ter acabamento igual, uniforme e perfeito, tome cuidado desgastando o material um pouco de cada vez, é preferível demorar mais na retirada paciente do que tentar arrumar com enxertos, após algum comprometimento permanente. Costumo sempre ajustar todas as superfícies retas, como por exemplo as caixas de ferramentas, pois quase sempre resina é levemente arredondada, também lixo todas as peças levemente, para facilitar a colagem e pintura.

A próxima fase costuma ser uma das piores num modelo de resina e consiste em corrigir, massear e lixar todas as falhas, furos, bolhas e imperfeições tão característicos deste material. Tanto na chapa da frente como na da traseira do tanque existe uma depressão pronunciada que necessita de preenchimento e acabamento cuidadoso, felizmente as poucas outras falhas se restringem à bolhas mínimas nas rodas, fundo do tanque e faróis, todas facilmente preenchidas.

Durante o processo, para eliminar todos os resíduos, lavo as peças em água corrente, esfregando com uma escova macia. Também é muito importante manter o ferramental limpo para não afetar sua efetividade, no caso das limas use uma pequena escova de aço e bombril. Uma mini retífica é desejável pois facilita muito este trabalho, mas não é imprescindível.
Detalhamento:
Neste ponto é necessário colher o maior número possível de informações, mesmo se limitadas, quando apelamos ao bom senso. Na falta de diagramas precisos dos detalhes do chassi de um Ford V8-51, procuramos algo próximo a um Ford 1935/36 e assim por diante. Após a fase de pesquisa são efetuadas buscas de peças dentre nossas caixas de sucatas, separando aquelas consideradas adequadas para aprimoramento do modelo, tais como (1) retrovisor, (2) lentes de blackout, (3) elementos para o chassi, (4) figura, (5) acessórios e afins.

Montagem:
A montagem por subconjuntos, aconselhável por facilitar detalhamento e pintura, é quase uma exigência em modelos em resina. Neste material a melhor cola a ser usada é do tipo bonder, reforçando com Araldite ou similar todas as junções críticas, esperando sempre pela secagem completa antes de dar prosseguimento. Neste caso trabalhei com apenas 5 grandes subconjuntos, (1) chassi, (2) cabine, (3) interior, (4) tanque e (5) pára-lamas traseiros.

Iniciei pelo chassi, instalando eixos e rodas tomando cuidado com alinhamentos. Procedi aos tubos de escapamento, barra de movimentação e terminais de direção, protetor, semi eixo e volante, ponteiras (do kit) e cardã, reforços do eixo traseiro, demais acessórios e por fim, suporte da placa traseira (do kit), pára-choque (do kit) e suporte da placa dianteira. O maior pecado em qualquer detalhamento é exagerar arruinando o efeito final, como parte do trabalho fica obscurecido, parei assim que me dei por satisfeito, embora seja possível ir bem mais além.

Na cabine abri pequenos furos, para os faróis (do kit), retrovisor e limpador de pára-brisa, este último instalado apenas ao final. Para o interior fiz uma base com folha de plástico que permitisse o encaixe perfeito na cabine, adaptei um motorista e troquei o volante por outro mais apropriado, colei a alavanca do câmbio (do kit) e barra da direção.

No tanque colei apenas a tampa, notar que parte superior apresenta um pequeno respiro e a inferior é lisa, testei o encaixe da torneira mas reservei para o final. Embora o modelo contenha duas barras de metal indicadas para unir os pára-lamas traseiros, preferi usar sprue mais fino, sem me preocupar muito com comprimento colei apenas de um lado, posicionando ambos os pára-lamas sobre as rodas instaladas no chassi marquei cuidadosamente uma linha de corte, colando o outro lado em seguida.

O maior segredo para um bom resultado num modelo em resina é manter as proporções, nada pior, devido as folgas inerentes nos encaixes deste material, do que rodas muito para fora ou dentro dos pára-lamas, rodas desalinhadas em qualquer sentido, fora de eixo ou que não encostam por igual no piso.

O mesmo vale para cabine, não pode estar fora do eixo com o chassi (e rodas) e sempre nivelada e tanque. Não é necessário usar instrumentos de medição com precisão infinita, mas use alguma referência pois erros somados costumam se multiplicar (pára-lama pouco torto com roda pouco torta resultam num pára-lama e roda demasiadamente tortos). Portanto muito cuidado nestes pontos.

Efetuei toda pintura básica em "german gray" e logo após nos pneus, parti para detalhes menores como a parte inferior do chassi, interior, interior da cabine, lanternas e acessórios, sendo as instruções bastante esclarecedoras quanto a todos os detalhes. Cortei cuidadosamente o contorno do pára-brisa e janela traseira, fixando-as com cola branca, a seguir iniciei a colagem dos subconjuntos (interior, cabine, chassi, pára-lamas traseiros e tanque, nesta ordem).

Esta operação é uma das mais delicadas, novamente teste os encaixes antes de colar e efetue quaisquer pequenos ajustes, remova porções de tinta onde ocorrerá o contato e cole com Araldite ou similar de secagem lenta, para permitir o posicionamento e alinhamentos corretos. Lembre-se "uma vez colado dificilmente será soltado", se ocorrer qualquer tragédia use uma serra fina para cortar a cola, nunca tente separar com força bruta, pois geralmente a resina quebra ou trinca em várias partes.

Após a completa fixação e secagem, reforcei as juntas principais entre o chassi, eixos, cabine e tanque e entre eixos e rodas com pequenas gotas de Araldite. Por fim instalei os limpadores de pára-brisa e torneira, efetuando todos os retoques necessários bem como a pintura de detalhes.

As decais são elaboradas a partir de 3 folhas de filme contínuo, nas cores branca, preta e vermelha, devem ter suas bordas aparadas, cuidado com as decais brancas, já que seu contorno é difícil de visualizar sobre o papel igualmente branco. A colocação deve ser efetuada em camadas, por exemplo, na porta é aplicado primeiro o círculo branco e após a cruz vermelha. No caso das placas pintei os suportes de branco, colocando apenas a decal preta e retoquei o contorno com pincel. Uma leve aplicação de verniz fosco é indicada para quebrar o brilho e aumentar a aderência.

Conclusão:
O resultado superou minhas expectativas, sendo difícil distinguir de um modelo plástico comum, por isto mesmo o conjunto final é pouco mais pesado e menos robusto que o habitual. Devido ao reduzido número de peças, a facilidade de sua preparação e pela pintura simples, a montagem é relativamente rápida, mesmo comparando a kits comuns. Recomendo para modelistas com um mínimo de experiência neste material que apreciem caminhões deste período, pois pode ser adaptado com facilidade para inúmeras versões utilizadas nos mais diversos Países.

Observação:
Para aqueles que nunca tiveram contato com modelos em resina, devo esclarecer que são geralmente menos detalhados e mais trabalhosos do que os injetados, seu custo também costuma ser superior, embora o resultado final quase sempre seja um modelo único e exclusivo. Cabe lembrar que mesmo um kit comum de qualquer caminhão costuma ser bastante complexo, tentei esclarecer as maiores diferenças no decorrer deste artigo, demonstrando que com alguns cuidados este e qualquer outro bom modelo totalmente baseado em resina não é assim tão complicado como pode parecer à primeira vista.


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